Cassems luta para que cirurgias determinadas pela Justiça sejam realizadas em Nova Andradina

Hospital está estruturado para realizar procedimentos de alta complexidade, mas intervenções seguem sendo realizadas em outras cidades

Da Redação


Reformado e estruturado para cirurgias de baixa, média e alta complexidade na área ortopédica, o Hospital Cassems em Nova Andradina luta agora para que os procedimentos autorizados pelo Poder Judiciário passem a ser realizados na unidade local. O médico ortopedista Omar Ferreira Miguel, que concluiu uma especialização recentemente na Alemanha, comentou o assunto em entrevista ao Jornal da Nova.

“Nova Andradina tem condições de resolver, mas não são resolvidas pelo SUS da cidade e saem para Campo Grande. Em virtude disso, os pacientes ficam perdidos no sistema de saúde e não são operados, então, no fim das contas, eles acabam entrando com petição judicial e uma solicitação mediante Ministério Público, Defensoria Pública para serem operados judicialmente”, diz.

No fim de semana, duas cirurgias foram realizadas na unidade, frutos de ações judiciais de pacientes que iriam para outra cidade e conseguiram na Justiça o direito de ser operados em Nova Andradina. “Pra nós é importante que eles sejam operados aqui, pois mostra que a cidade tem condições. Nós temos gabarito técnico e científico, bem como o Hospital, para aceitar esses pacientes e tratá-los adequadamente”, frisou.

Sobre os casos mais comuns, Omar afirmou que “normalmente são artroplastias de quadril e artroplastias de joelho, que o paciente fica até dez anos esperando na fila e não são operados”. “Infelizmente essas próteses deveriam ser oferecidas corriqueiramente no SUS do Estado, mas não são feitas, e todas as cirurgias feitas pelo SUS são geralmente por mandados judiciais”, lamentou.

Parceria poderia evitar sofrimento e proporcionar economia

Para tentar viabilizar uma solução, o médico afirmou que a equipe técnica do Cassems “propôs para a Secretaria Municipal de Saúde operar todos os pacientes da rede por um valor bem modico — quando comparado com cirurgias judiciais — pra que nós pudéssemos ofertar para todos os pacientes, que sofrem e tem que ir pra fora, com pós-operatório difícil, cirurgia grande, sofrem”.

 O médico ortopedista Omar Ferreira Miguel – Foto: Jornal da Nova

“Só que o poder público municipal não se interessou na época [há dois anos]. Há uns seis meses, novamente procurei eles e não tiveram interesse. Isso é ruim. Recentemente fiz um curso na Alemanha pra poder melhorar o trabalho, aprimorar tecnicamente, oferecer melhores condições para os pacientes e eu gostaria de oferecer isso para o SUS, mas infelizmente não temos condições, por que o poder público não demonstra interesse em resolver esses problemas”, expôs.

Mesmo começando a receber parte das demandas judiciais, o médico afirmou que o custo é elevado. Ele reforçou que um convênio com a Prefeitura, visando evitar que esses casos fossem levados à Justiça, poderia garantir mais economia aos cofres públicos ao mesmo tempo em que proporcionaria aos pacientes e familiares mais conforto, visto que não haveria necessidade de deslocamento.

“As pessoas acabam tendo que recorrer às medidas judiciais e os valores terminam sendo elevados. Com o valor de uma cirurgia judicial poderia, às vezes, pagar outras cinco cirurgias”, acrescentou Omar ao ressaltar a recuperação dos dois pacientes operados recentemente em Nova Andradina. “Estão ótimos, começaram a andar dois dias depois do pós-operatório. Já vão ter alta”, comentou.

“Já os pacientes que precisam de uma Semi-Intensiva, ou até mesmo uma nova cirurgia, nós não pedimos nenhum valor extra, enquanto nas cirurgias judiais, tudo aquilo que se fizer extra tem que pagar. Queremos que Nova Andradina seja reconhecida pelo serviço médico de qualidade”, complementou o especialista responsável pela ortopedia do Cassems.

 Edno Matos de Lima, de 67 anos – Foto: Jornal da Nova

Alguns desses pacientes citados pelo médico foram Edno Matos de Lima, de 67 anos, e Martinho Valtman, de 70 anos. Em ambos os casos os idosos tiveram que se deslocar várias vezes para Campo Grande. Sem conseguir atendimento, acabavam voltando para Nova Andradina. “Demorou três anos e sete meses. Mandavam a gente ir pra Campo Grande e voltávamos. O sofrimento é grande”, contou Edno.

“Fomos diversas vezes na Promotoria, era revogado. Chegava em Campo Grande e o médico lá falava ‘por que vocês estão procurando cirurgião ortopedista se o especialista está em Nova Andradina?’. Mas graças a Deus agora consegui tirar a dor. Aconselho os outros pacientes a procurar os seus direitos”, complementou Martinho Valman.

 Martinho Valtman, de 70 anos – Foto: Jornal da Nova

Ortopedista

Dr. Omar Ferreira Miguel, é da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia e Associação Médica Brasileira, sub especialista em quadril e membro da Sociedade Brasileira de Quadril e titulado pelo Instituto de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo e mestre em Ciências.

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